
As vitrines das lojas amanheceram com outro visual hoje. Os produtos em verde e amarelo foram substituídos por camisas do time da Argentina, da Laranja Mecânica e produtos de época, como gorros, luvas e artigos de festa junina. A tarde de ontem foi diferente para os comerciantes que vendem produtos alusivos à Seleção Brasileira. No lugar de comemorar e faturar, eles tiveram que empacotar as mercadorias e tentar descontos para atrair o consumidor, que não apareceu. Até o jogo de ontem, alguns comerciantes que vendiam produtos da Copa tinham dobrado as vendas em relação ao mesmo período de 2009. Mas a festa acabou depois das 13h.
No lugar de ganhar comissão, os vendedores da Loja da Copa, na Savassi, ficaram a tarde de ontem empacotando as mercadorias, com as portas fechadas. "Ajudamos a montar toda a loja e agora é muito triste ter que guardar tudo. Esperava que o Brasil ganhasse pelo menos da Holanda", afirma a vendedora Alexandra Mara. Na loja estavam sendo vendidos produtos com preços de R$ 0,35 (prendedores de cabelo) a R$ 100 (bandeira gigante).
A loja Nobres Pecadores, na Avenida Cristóvão Colombo, estava otimista com a Seleção e chegou a estampar a faixa "Nós acreditamos no Hexa" na porta. Mas a vitrine de hoje está com outra cor em destaque: laranja. A loja fechou ontem à tarde para guardar as mercadorias em verde e amarelo. O dono da loja, Carlos Ferrer, o "Baiano das Camisetas", afirma que vai guardar tudo para 2014. Ele vendeu nas últimas semanas o dobro do mesmo período do ano passado, graças aos jogos da Seleção. "Com a derrota de hoje (ontem), devo vender uns 30% a menos. Mas já faturei nas semanas anteriores. O que determinas os negócios é a primeira fase de jogos", afirma Ferrer.
Os funcionários da Distribuidora Fernando, no centro da capital, também passaram a tarde de ontem encaixotando as mercadorias em verde e amarelo. "Não adianta fazer nenhuma promoção. Se vender tudo pela metade do preço, ninguém compra. Agora, só em 2014. Vou ter que achar um lugar para guardar as mercadorias, mas nem sei se vai valer a pena o gasto que vou ter", afirma Fernando Campos, gerente da loja. Sobraram mais de 5 mil itens alusivos à Seleção Brasileira na loja.
Prejuízo
No Shopping Xavantes, os vendedores de produtos de Copa do Mundo, como vuvuzelas, bandeiras, apitos e chapéus, correram para trocar os produtos das prateleiras. No lugar de itens da Seleção, entraram as luvas, gorros e acessórios para celulares. O vendedor Altair Júnior fez até um rastafári para entrar no clima da Copa. “Mas agora não tem mais nada de Copa na loja. E nem vamos fazer promoção. Se vender muito barato, é prejuízo. E, mesmo assim, o consumidor não quer”, afirma.
Na loja de artigos esportivos Arquibancada, na Avenida Brasil, o foco são os produtos dos times mineiros. O investimento em produtos da Seleção Brasileira não foi tão grande, mas mesmo assim estima-se prejuízo. Camisas verde e amarela com o escudo do Atlético e do Cruzeiro eram os recordes de vendas e foram colocadas em promoção logo que a partida contra a Holanda terminou. De acordo com o gerente da loja, Alan Policarpo, foram lançados quatro modelos de camisas da seleção brasileira, mas a expectativa é de que elas não se esgotem. "A amarela com o escudo dos times mineiros custava R$ 69,90 e agora vamos tentar vender a R$ 49,90".
A gerente de marketing do BH Shopping, Lívia Paolucci, acredita que os lojistas já trabalham com artigos de Copa do Mundo preparados para a possibilidade de desclassificação. "Pode haver um prejuízo, mas nada muito significante, já que a Copa é um evento atípico que movimenta a venda de artigos ligados à ela, mas tem hora para acabar". A gerente de marketing do Minas Shopping, Lucy Jardim, não prevê grandes prejuízos e ressalta que a maioria dos produtos relacionados à Seleção foram vendidos durante a primeira fase da competição. Elas lembram que, com a saída da Seleção, o fluxo de clientes nos shoppings é recuperado, voltando à normalidade.
Belo Horizonte BH